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Conclusões e Perspetivas Futuras

O desenvolvimento do presente grupo operacional, originou um conjunto de resultados, informações e conclusões de alto valor para o setor vitícola e que já estão a ter um impacto positivo no sector. Destacam-se as seguintes:

  • a poda mecânica reduz significativamente o custo da poda das vinhas (poda mecânica - 300 a 400€/ha versus poda manual - 600 a 800€/ha), pelo que a adoção desta tecnologia origina uma considerável redução de custos para as empresas do setor;
  • a poda mecânica induz um aumento de produtividade da vinha (com um valor médio de todos os campos experimentais de 43%) pelo que a adoção desta tecnologia origina um aumento de receita para as empresas do setor;
  • os dados obtidos mostram que, ao longo dos anos, a poda mecânica não reduz o vigor e a expressão vegetativa da videira nem a sua produtividade, o que mostra que este método de poda não põe em risco a perenidade da vinha;
  • a poda mecânica aumenta significativamente a rentabilidade da viticultura e permite a obtenção de bons resultados a curto, médio e longo prazo; 
  • a poda mecânica induz um aumento de produtividade da vinha (com um valor médio de todos os campos experimentais de 43%), contribuindo para a redução da pegada ecológica por quilograma de uva produzida;
  • a influência da poda mecânica sobre a qualidade das uvas e dos vinhos é normalmente baixa, ainda que em determinadas situações (no caso deste projeto só aconteceu no campo de demonstração do parceiro ATEVA) , em que o aumento de área foliar não compense o aumento da produtividade, pode haver alguma redução do teor de açúcares das uvas;
  • a aplicação de fertilizantes orgânicos ao solo aumenta o teor de matéria orgânica do solo, contribuindo para o sequestro de carbono e para a diminuição da pegada ecológica da uva produzida;
  • a aplicação de fertilizantes orgânicos ao solo veicula nutrientes vegetais, permitindo a redução do uso de adubos químicos de síntese;
  • a aplicação de fertilizantes orgânicos ao solo origina um sequestro de carbono no solo que é, a partir de determinada quantidade, superior às emissões de gases com efeito de estufa da atividade vitícola, tornando a vinha num sumidouro de carbono e reduzindo a pegada ecológica das uvas produzidas;
  • a não mobilização do solo aumenta o teor de matéria orgânica do solo, contribuindo para o sequestro de carbono e para a diminuição da pegada ecológica da uva produzida;
  • a não mobilização do solo e a aplicação de fertilizantes orgânicos não tiveram efeitos significativos na qualidade das uvas e dos vinhos;
  • o estudo da poda mecânica a taxa variável (VRMP), efetuado no âmbito da tarefa 4, é pioneiro a nível mundial e o artigo publicado pela equipa deste projeto na Revista Acta Horticulturae é o único publicado, tanto a nível nacional como internacional, sobre o tema;
  • a confusão sexual é uma tática de proteção efetiva em relação à cochonilha-algodão-da-vinha e que pode contribuir para a implementação de estratégias de proteção mais sustentáveis. Verificou-se também a existência de um efeito cumulativo ao longo dos anos, nas parcelas em confusão sexual, mesmo com a interrupção da aplicação da técnica em 2020.
  • Como consequência do trabalho desenvolvido neste projeto e das ações de divulgação e demonstração efetuadas nas regiões dos Vinhos Verdes, Lisboa, Tejo, Península de Setúbal e Alentejo, a área de vinha podada mecanicamente em Portugal passou de valores residuais em 2017 para mais de 2000 ha podados mecanicamente na campanha de 2021/2022.

Para além da aquisição de equipamentos de poda mecânica por parte de vários produtores, tem havido a aquisição destes equipamentos por parte de prestadores de serviços, o que evidencia a procura e o potencial desta tecnologia. Assim, atendendo aos resultados positivos desta nova tecnologia, a área tenderá a aumentar nos próximos anos.

Em resumo, os resultados obtidos com as tecnologias implementadas nos campos de demonstração deste grupo operacional, permitem concluir que a “poda mecânica em sebe”, a “não mobilização do solo”, a “fertilização com materiais orgânicos” e a “confusão sexual da cochonilha-algodão-da-vinha” são práticas sustentáveis que permitem a obtenção de uvas com uma baixa pegada de carbono e ecológica. Em alguns campos experimentais observou-se mesmo uma pegada negativa, indicando que esses campos experimentais funcionaram como um sumidouro de carbono.